Após queda, presidente do Galo exige vaga na Libertadores 2018: “Obrigação”

Daniel Nepomuceno afirma que não faltou planejamento da diretoria e que reforços, caso necessário, só podem vir da Série B

(Foto: REUTERS/Cristiane Mattos)

Após a eliminação do Atlético-MG nas oitavas de final da Libertadores no Mineirão, o presidente do clube, Daniel Nepomuceno, conversou com a imprensa ao lado do técnico Rogério Micale. O dirigente lamentou o empate sem gols diante do Jorge Wilstermann, da Bolívia, no Mineirão que culminou com a saída do Galo da competição. Entre rebater as críticas e tentar achar explicações para o mau momento do time, Nepomuceno afirmou que a vaga da Libertadores, por meio do Brasileiro, é obrigação.

– Obrigação, sem dúvida nenhuma. São cinco anos consecutivos. Não tem como a equipe ficar fora do G-6. Acabaram as desculpas de jogo quarta e domingo. Temos que aproveitar o calendário agora, que só vão ter jogos do Brasileiro. É evidente que eu acredito, mesmo com tudo que aconteceu de errado, (o time) tem futebol para ficar no G-6.

Nepomuceno foi direto ao responder os críticos sobre a fase do Atlético-MG. O presidente afirmou que não houve falha de planejamento da diretoria e justificou dizendo que foi ao mercado quando necessário para trazer reforços.

– Quem não esperava (a eliminação), sou eu. Por todo investimento feito, que já falei anteriormente. Tenho que agradecer a quem teve no Mineirão, agradecer a quem apoiou até o último segundo, acostumado a viradas e, em nenhum momento, deixou de acreditar. Não fujo de responsabilidade, em todo momento boto a minha cara. Quando teve erro planejamento, mesmo no ataque, que não está fazendo gols, mesmo de reposição no meio, eu corri atrás e trouxe. O Atlético tem que voltar às características dele, que é ir para frente. É evidente que teve várias falhas, mas não de planejamento. Porque a todo momento, a gente estava pensando antes, já pensava em movimentar a equipe, que ficou desquilibrada, pagando caro por erros. Vão falar muito sobre a unidade do elenco, isso não existiu (desunião) até agora. O elenco é muito unido. Vão falar sobre a entrega que o elenco pode dar ao novo treinador, que chegou há 15 dias. Eles entregaram. Não quero aqui ficar lamentando, quero colocar responsabilidade, é evidente que teve. Tivemos bons resultados sim, nos últimos anos. Mas esse ano fugiu tudo o que foi feito e do planejamento. Ninguém esparava isso. Quando corri atrás de novo jogador, eu só recebi aplausos. Quando a bola não entrou, a hora é de bater e cobrar responsabilidade – avaliou o presidente alvinegro.

Sobre a busca por reforços, o presidente disse que o clube só pode trazer atletas vindos da Série B, por questões de regulamento e janelas. Nepomuceno ressaltou que não vê falta de comprometimento no grupo alvinegro. O dirigente afirmou que tem confiança no elenco e também no atual treinador na equipe.

– Olha, acho que pior que o calendário, que favorece quem está disputando menos competições, é agora você não ter janela, não ter oportunidade de contratação. A gente espera que todo jogador que foi pedido, até então, eu corri atrás. Só que, agora, você só consegue trazer jogador que está disputando a Série B, e isso é grande problema. Primeiro, temos que descobrir internamente (no clube), e não achar que vai trazer jogadores para poder consertar. Temos que acertar agora internamente. Sobre questão de dispensa, se jogador está na gandaia e está desrespeitando o clube, eu seria o primeiro a achar esse culpado e tirar o meu da reta. Como não está contencendo isso, está tudo dentro da normalidade, e a cobrança foi feita, a questão agora é de confiança no Micale, de equilibrar e, principalmente, colocar o time como jogou hoje. A bola não entrou, com vários artilheiros, inclusive esse ano, jogando em campo.

Questionado se a troca de técnico durante a fase de mata-mata da Libertadores e da Copa do Brasil pesou para a eliminação, Nepomuceno preferiu apontar outros culpados. O presidente eximiu Roger Machado, ex-treinador do Galo, de responsabilidade pelo mau momento.

– Se eu acreditasse que a troca não iria dar resultado, não teria trocado. Acho que você paga caro pelo investimento e expectativa que cria. Nós não fomos eliminados porque jogamos mal os últimos jogos. Fomos eliminados por causa do desequilíbrio nos últimos tempos. A troca de treinador tem risco imenso. Mas você tem que mexer e agir rápido para mexer no que vinha acontecendo. Não é culpa do Roger (Machado). No Brasil, tem essa cultura (de trocar treinador). As equipes que investiram bastante estão tendo questionamentos e muito por parte dessa cobertura diária e dessa desconfiança.