Palmeiras decepciona com muita correria e pouco futebol em eliminação

Verdão volta a exagerar em cruzamentos e mostra desorganização tática na partida contra o Barcelona de Guayaquil.

(Foto: Marcos Ribolli)

Cuca teve um mês de preparação desde a derrota no Equador, mas não conseguiu dar uma cara diferente ao Palmeiras na Taça Libertadores. Se sobrou vontade para lutar por cada bola, faltou futebol para vencer o Barcelona de Guayaquil por mais de um gol de diferença no tempo normal e seguir na competição. A derrota nos pênaltis e a consequente eliminação nas oitavas de final aumenta a instabilidade de um time sem identidade até o momento em 2017.

A escalação de Dudu como armador (Guerra começou no banco) fez o Palmeiras acelerar demais as jogadas de ataque no primeiro tempo. Não havia quem organizasse o time ou até mesmo segurasse a bola para a aproximação de volantes e laterais. Deyverson acabou ficando isolado. Retrancado, o Barcelona praticamente não levou sustos.

Sem triangulações, o Verdão ficou dependente de lances individuais, boa parte deles improdutivos. A consequência, mais uma vez, foi o exagero em cruzamentos para a área – 27 em toda a partida. Bem marcado, Deyverson só conseguiu desviar um deles no primeiro tempo, sem muito perigo.

A entrada de Moisés na etapa final deu a cadência necessária para o Palmeiras ter uma leve evolução. Logo aos cinco minutos, o Profeta iniciou a jogada com um lindo lançamento para Dudu e apareceu na área para abrir o placar.

A empolgação para buscar o segundo gol exibiu mais um problema da equipe: o distanciamento entre as linhas de jogadores. Enquanto atacava, o Palmeiras deixava um enorme espaço no meio de campo para o Barcelona aproveitar. Foi assim que Jonatan Álvez acertou a trave de Jailson em contra-ataque. Em seguida, foi a vez de Keno carimbar o travessão.

Vale lembrar que a equipe sofreu duas baixas importantes durante a partida. Mina lesionou o pé esquerdo ainda no primeiro tempo e deu lugar a Edu Dracena, que teve dificuldades para encaixar a marcação no veloz ataque adversário. Dudu, com dores na coxa esquerda, saiu na etapa final. Guerra entrou, mas pouco fez.

Os 15 minutos finais deram a sensação de que o gol poderia sair para qualquer lado por conta desorganização. Tanto que foram quatro chances reais para cada lado. No total, o Palmeiras finalizou 18 vezes contra 13 dos equatorianos. Os pênaltis apenas ampliaram o sofrimento.

Cuca elogiou em entrevista coletiva após a partida o empenho e a dedicação dos jogadores. Mas não pode se contentar somente com o que a equipe produziu. É muito pouco para quem gastou tanto para contratar e para quem teve tempo de sobra de fazer o time jogar melhor.