Corpo de Bombeiros alerta sobre riscos de incêndios florestais

As cidades com maior incidência de focos no período foram Paranavaí, com 391 registros, e Maringá, com 298, ambas localizadas no Noroeste do Estado.

No início da noite desta quarta-feira, mais um princípio de incêndio foi registrado no Morro do Bim em Santo Antônio da Platina (Edmilson Maciel / Tanosite)

A falta de chuvas no primeiro semestre deste ano, associada à baixa umidade do ar, provocou o aumento de focos de incêndio no Estado. De acordo com dados do Corpo de Bombeiros do Paraná, foram 3.793 casos nos seis primeiros meses deste ano, ante 2.516 registrados no mesmo período de 2017 – aumento de 44%. As cidades com maior incidência de focos no período foram Paranavaí, com 391 registros, e Maringá, com 298, ambas localizadas no Noroeste do Estado. Apucarana, no Vale do Ivaí, vem logo em seguida, com 232. Curitiba registrou 214 ocorrências.

De acordo com o Simepar, não há previsão de chuvas para o Noroeste nos próximos 15 dias, o que pode agravar ainda mais a situação. “As chuvas desta época do ano são provocadas basicamente por frentes frias, mas não há nenhuma sobre a região neste momento”, disse o meteorologista Tarcísio Valentim da Costa.  A capitã do Corpo de Bombeiros do Paraná, Rafaela Diotalevi, explicou que quando chove menos o mato fica mais seco e, consequentemente, existe maior probabilidade de incêndios ambientais. Os focos, no entanto, não são provocados apenas por causas naturais.

“Os seres humanos costumam jogar lixos com cacos de vidros em áreas urbanas, principalmente em terrenos baldios, e isso pode gerar novas queimadas”, disse ela. O vidro, em contato com o sol, é um dos principais causadores das queimadas dentro das cidades.

PRECAUÇÃO

O Corpo de Bombeiros tem algumas recomendações para evitar novos focos de incêndios, como não colocar lixos em terrenos baldios, não soltar balões e não jogar bitucas de cigarros perto de rodovias, principalmente nas regiões com mata.
Caso alguém presencie outra pessoa colocando fogo sem autorização, o órgão alerta que é preciso ligar imediatamente para o telefone 193 e fazer uma denúncia. Há equipes disponíveis 24 horas por dia para atender as demandas.
“Provocar incêndios sem a devida autorização, seja em florestas ou em centros urbanos, é considerado crime ambiental, e pode gerar multa e detenção de até quatro anos”, afirmou Rafaela.

HISTÓRIA

A preocupação com incêndios florestais entrou na pauta da política local e nacional em 1963, ano em que o Paraná foi palco do pior incêndio já registrado na história do País. Ao todo, 128 municípios dos Campos Gerais e das regiões Central e Norte foram atingidos, cerca de 10% do território do Paraná foi consumido por chamas e 110 pessoas perderam a vida.
A causa das queimadas, segundo pesquisadores da época, foi a combinação de estiagem prolongada, baixas temperaturas e queimadas agrícolas para limpeza de terrenos.

QUEIMADA LEGAL

A queimada agrícola para limpeza de áreas é um procedimento legal, mas deve ser usado com muita cautela, alerta o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Os agricultores, além de autorização, precisam seguir as regras estipuladas pela entidade, como fazer limpezas de faixas de dois a três metros de largura na área que vai ser queimada e respeitar os limites de áreas florestais e reservas de área permanente.