Baixo nível de represa põe em alerta lideranças da região

Lideranças dos municípios que compõem o projeto Angra Doce querem explicação de concessionária

O reservatório da usina hidrelétrica de Chavantes, que fica na jusante dos rios Paranapanema e Itararé, está apresentado desde o final do ano passado com o menor nível das últimas décadas, isso numa época que não tem faltado chuvas. A redução drástica do nível do reservatório está comprometendo a atividade turística que beneficia principalmente os municípios de Ribeirão Claro, Carlópolis e Siqueira Campos, além de vários municípios do lado paulista.

O prefeito de Ribeirão Claro, Mario Augusto Pereira (PSC), sensibilizado com a situação, reuniu-se ontem (29) com representantes da empresa CTG Brasil, que detém a concessão da Hidrelétrica Chavantes, solicitando informações que expliquem as razões da queda do nível da lâmina d’agua da represa.

Ele recebeu em seu gabinete Douglas Leonardo Souza (Comunicação), Natalia Flor (Responsabilidade Social) e Ivan Toyama (Patrimônio). Os funcionários da CTG explicaram que o reservatório opera em baixa devido a grande demanda de produção de energia elétrica e que as metas de produção são determinadas pelo ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico.

Dante da situação, Mário Pereira decidiu falar diretamente com o ONS informando que já iniciou as tratativas com o objetivo de marcar uma audiência com integrantes da instituição. O prefeito assinala que o nível da represa Chavantes, que banha municípios do Norte Pioneiro do Paraná e Sul de São Paulo, está prejudicando a economia dessas cidades. O reservatório opera em baixa nos últimos meses e tem sido alvo de mobilizações de prefeitos nos dois estados.

O prefeito Mario Pereira informou que se reunirá com a equipe do Operador Nacional do Sistema Elétrico para tratar do assunto. Em alta estação, os empreendimentos turísticos de Ribeirão Claro e dos municípios vizinhos têm enfrentado problemas, uma vez que o turismo é uma das principais fontes de renda da região e a represa é o atrativo natural que mais recebe turistas e visitantes. “Estou tentando uma audiência no ONS com urgência para tentar alternativas para minorar o problema”, finalizou.

Mobilização

Para debater o assunto outro encontro reunindo lideranças de vários municípios do Norte Pioneiro e Sudoeste Paulista, que aconteceu na última sexta-feira, 25, na Câmara Municipal de Fartura (SP) também abordou a questão envolvendo o baixo nível da água. O presidente da Câmara de Vereadores de Carlópolis, João Aparecido de Camargo, explicou ao término do encontro que ficou decidido que serão tomadas medidas conjuntas para reivindicar da empresa concessionária a implantação de um nível mínimo de água a ser respeitado. “Essa ação torna-se importante para evitar prejuízos a todos os municípios que são banhados pelo reservatório Chavantes, sendo que alguns deles exploram o turismo, como é o caso do Balneário da Alemoa, no município de Siqueira Campos, Ribeirão Claro, Timburí e outros”, assinala o vereador.

O prefeito de Siqueira Campos, Luiz Henrique Germano, não participou do encontro, mas apoia a iniciativa dos companheiros, afirmando que a decisão será importante para se manter um nível mínimo na represa que não prejudique os municípios que exploram o turismos as margens da Chavantes.

Turismo

Chavantes, um dos mais importantes aproveitamentos hidrelétricos do rio Paranapanema, com 414 MW de capacidade instalada, a usina completa 48 anos no dia 6 de fevereiro. Sob a gestão da CTG Brasil – a segunda maior geradora de energia privada do país – o empreendimento localizado entre Chavantes (SP) e Ribeirão Claro (PR) produz energia capaz de abastecer uma cidade com cerca de 700 mil habitantes.

A UHE Chavantes é resultado de um projeto cuja execução demandou 12 anos de trabalhos. Na fase inicial da construção foi denominada “Usina Itararé”, mas teve o nome alterado posteriormente para “Usina Xavantes”, até chegar à nova grafia, em 1990.

Além do desenvolvimento econômico e tecnológico, a instalação da usina Chavantes fomentou o turismo em municípios paranaenses e paulistas banhados pelo reservatório – um lago límpido de 419 quilômetros quadrados de área, com bordas que se estendem por 1.085 quilômetros.  Cidades como Piraju (SP), Ribeirão Claro, Carlópolis e Siqueira Campos (PR) aproveitam as belezas naturais e a boa qualidade da água para atrair banhistas às suas praias de água doce, praticantes de esportes náuticos e da pesca esportiva, oferecendo boas opções de lazer junto à natureza.

É justamente esta atividade que está sendo prejudicada pela decisão do Operador Nacional do Sistema Elétrico forçando as concessionárias de energia a aumentar a produção para atender a crescente demanda por eletricidade.